Sugestão de Leitura

Angus

Mágica! Que outra palavra resumiria tão bem a saga de Angus Maclachlan? As aventuras de seu clã escocês percorrem os séculos que já foram formados de “Idade das Trevas”, um tempo que insiste em permanecer no imaginário popular, em ser amado por sua fantasia e mistério. Do rei Arthur a Joana D’arc, das cruzadas e dos cavaleiros templários a Ricardo Coração de Leão. Princesas, reis e nobres, castelos e exércitos com armaduras e espadas mágicas, druidas e celtas, magos e eremitas; florestas encantadas: nossa cultura, chamada ocidental, foi forjada nesse ambiente de conquista, de luta, e, principalmente, de desenvolvimento da religião do Cristo, a cruz como o símbolo do bem e da vitória sobre o mal.

A saga que é apresentada nesse volume mescla uma narrativa fantástica com uma ambientação histórica centrada nas ilhas britânicas da alta idade média (Séculos V-IX). Orlando nos conta o surgimento e a cristianização do clã dos Maclachlan. Nesse período conturbado, as ilhas passaram por um acelerado processo de barbarização o recuo do Cristianismo com o fim do império romano, as populações Bretãs romanizadas de ali viviam foram abando nadas a própria sorte, sofrendo migrações e ataques constantes vindos do continente desde o final do século IX. Basicamente foram três os pavos Germânicos invasores: Angus (provenientes do atual Slesvig), Saxões (a maior parte da atual Alemanha e Dinamarca) e Jutos (da Juntrândia-Norte da Dinamarca, Frísia e abaixo Reno). Esses povos destruíram o que restou da cultura Romana na ilha.

Como a Bretanha foi a região menos romanizada durante a existência do império Romano, a forma de dominação diferiu em alguns pontos essenciais da ocorrida no continente: os invasores conservaram e impuseram sua própria língua; mantiveram as instituições Barbaras e o direito consuetudinário, sem influência do direito romano; estabeleceram seus próprios métodos de cultivo eles eram pagãos e, diferentemente dos Francos, não adotaram o Cristianismo, assim, estavam livres de qualquer influencia da cultura latina. Após sua instalação guerrearam constantemente entre si.

No entanto, já no século V a igreja enviava missionários as ilhas. Os mais famosos foram São Patrício (c. 385-448), São Gildas e São Columba (528-614), que criaram importantes mosteiros, responsáveis pela preservação da escrita e cultura antiga. Seu modo de vida era muito duro e austero. Os mosteiros tinham um estilo de vida basicamente tribal. O objetivo daqueles religiosos era a fuga do mundo para buscar elevação espiritual na solidão das florestas.

Nesse contexto histórico, Orlando dá um ponto de partida para sua narrativa. O clímax da primeira parte de sua saga é, na minha opinião a conversão de Angus ao Cristianismo. O Herói sofre o processo de transformação psicológica de um cunho ético – religioso pelas mãos do monge Nennius, que na vida real foi um importante historiador do século IX. O monge explica a Angus a natureza das virtudes e como o cristão deve tê-las a seu lado para lutar contra os pecados.

Em suma, espero que você caro leitor tenha o mesmo prazer em ler a vida do clã Escocês dos Maclachlan, pois o destino dessa saga é o sucesso.

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