Cia. XIX de Teatro apresenta o inusitado “Hygiene” nesta sexta e domingo

Nesta semana, dias 1 e 3 de julho (sexta e domingo), estará em Lençóis Paulista o Grupo XIX de Teatro de São Paulo com o renomado espetáculo “Hygiene”. A peça é baseada numa pesquisa do processo de higienização urbana no Brasil do fim do século XIX, num momento histórico em que o Brasil recebia diariamente milhares de imigrantes. Os personagens dividem o mesmo teto de um cortiço do Rio de Janeiro e trazem à tona características que vão marcar profundamente a construção da identidade brasileira e a desigualdade social. O samba, o sincretismo religioso, as lutas operárias, entre outras manifestações sócio-culturais tiveram seus embriões gerados nessas habitações coletivas. O espetáculo acontece nesta sexta e domingo, ás 16h com início em frente ao Santuário de N.S. da Piedade, rumo ao Espaço Cultural “Cidade do Livro”.

O GRUPO:

Coletivo nascido no Centro de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo – USP,  a partir de pesquisa acadêmicas. Seus espetáculos narram dramas sociais e políticos, apresentados em edifícios antigos, invariavelmente abandonados, aproveitando a arquitetura como cenografia e a luz natural como iluminação.

A gênese do grupo segue a tendência dos chamados processos colaborativos na cena contemporânea brasileira da virada do milênio. A afirmação do vínculo do teatro com a cidade, e vice-versa, fica patente já na primeira produção, Hysteria, que estréia no circuito acadêmico em novembro de 2001, mas só vai chamar a atenção do público e da mídia no Festival de Teatro de Curitiba, em março do ano seguinte.

O diretor Luiz Fernando Marques, então com 24 anos, e as atrizes Gisela Millás, Janaina Leite, Juliana Sanches, Raissa Gregori e Sara Antunes são protagonistas de uma aventura teatral que os leva não só a outros Estados, percorrendo festivais, mas também à França, Portugal e Cabo Verde.

Encenada em casarões históricos, Hysteria estabelece interação direta com a platéia feminina. As espectadoras compartilham seis bancos de madeira com as cinco personagens, enquanto os homens são dispostos numa arquibancada à parte. Alternando dolência, lirismo e poesia, os solilóquios das cinco pacientes expõem a remota linha do tempo de mulheres oprimidas em seus desejos e sentimentos catalogados como ‘anormais’, ‘histéricos’, inclusive pela medicina institucional.

O espetáculo seguinte, Hygiene, 2005, é fruto de residência artística na Vila Operária Maria Zélia, na zona leste de São Paulo, conjunto arquitetônico concluído em 1917 e tombado pelo Patrimônio Histórico em 1992. O grupo entra em acordo com os moradores para ali instalar sua sede: o galpão de um boticário fechado há décadas. Aos poucos, estende a ocupação a outros espaços com oficinas, seminários e ensaios. O grupo é reforçado com o ingresso do diretor de arte Renato Bolelli Rebouças e dos atores Rodolfo Amorim, Ronaldo Serruya e Paulo Celestino.

No campo prático, o principal desafio de Hygiene é a opção, na primeira parte do espetáculo, pelo teatro de rua, linguagem com a qual os integrantes têm pouca familiaridade. Vielas, fachadas e o prédio esquecido de uma escola são incorporados como cenários para falar dos cortiços e da população pobre submetida a rigorosas normas de higiene no início do século XIX.

Ao analisar o espetáculo, a pesquisadora Iná Camargo Costa traduz a consistente trajetória-relâmpago dos jovens criadores: “A peça Hygiene, do Grupo XIX, é uma das provas empíricas mais contundentes de que não é preciso ser adepto de Brecht, nem ter convicções socialistas muito arraigadas para se fazer teatro épico de altíssimo nível. Para que isto aconteça, basta que os envolvidos no projeto tenham um pouco (não precisa muito) de sensibilidade social, olho para as mais variadas formas de miséria em que todos vivemos e espírito livre de receitas sobre como fazer teatro”.

(extraído de: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=cias_biografia&cd_verbete=5919)

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